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Desgaste em dentes de 25 mil anos é o registro mais antigo de uso habitual de uma droga vegetal

Análise química encontrou arecolina, o princípio ativo da noz de betel, em dentes de dois forrageadores da Indonésia; o padrão de desgaste não corresponde ao da mastigação normal.

Dentista Live · 2 de outubro de 2026

Modelo anatômico sobre a bancada do laboratório
Foto de archivo

Um estudo publicado na Science Advances em 11 de setembro de 2026 analisou os dentes de dois forrageadores pré-agrícolas de Sulawesi, na Indonésia, e identificou o registro mais antigo conhecido do uso habitual de uma droga vegetal neuroativa.

Um dos indivíduos foi datado entre 25 mil e 16 mil anos atrás; o outro, entre 7.600 e 6.300 anos. Os dois apresentavam desgaste circunferencial severo, com um padrão que não corresponde à atrição esperada da mastigação normal.

A análise química detectou arecolina — o princípio ativo da noz de betel — nas amostras dentárias dos dois. O padrão de desgaste sugere que as nozes inteiras e descascadas eram mantidas entre os dentes e sugadas ou mordiscadas de leve. Experimentos de laboratório confirmaram que a noz intacta libera arecolina suficiente para produzir efeito fisiológico.

As consequências bucais estavam todas presentes nos dois indivíduos: raízes expostas, cavidades pulpares abertas, lesões periapicais, doença periodontal e perda dentária.

Por que importa: a noz de betel ainda é mascada por centenas de milhões de pessoas e segue produzindo o mesmo quadro. O desgaste descrito aqui é o mesmo que se vê hoje em quem masca substâncias duras de forma habitual.

O que conferir: o artigo na Science Advances.

Via: Dental Tribune International