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Pesquisa de 40 anos em Piracicaba reforça valor da fluoretação da água
Um estudo da Unicamp dos anos 1980 mediu como a interrupção temporária da fluoretação reduz o flúor no biofilme dental das crianças; o CROSP resgata o achado em meio à crise de insumos.

Uma pesquisa realizada há quase quatro décadas em Piracicaba, no interior de São Paulo, voltou a ser citada pelo Conselho Regional de Odontologia de São Paulo (CROSP) em meio à atual preocupação com a falta de insumos para a fluoretação da água. O estudo, conduzido em 1986 pelo professor emérito da Unicamp Jaime Aparecido Cury, aproveitou uma interrupção real no abastecimento de fluossilicato de sódio, motivada pela crise econômica da época, para medir o que acontece com o flúor no organismo das crianças quando a água deixa de ser fluoretada.
Os resultados mostraram uma queda acentuada: a concentração de flúor no biofilme dental passou de 3,2 microgramas por grama, com a água fluoretada normalmente, para apenas 0,2 µg/g durante a interrupção, e voltou a subir a 2,6 µg/g quando o abastecimento se normalizou. Para Cury, o episódio mostra como a pesquisa científica ajuda a planejar políticas de saúde pública mesmo décadas depois de produzida.
O CROSP lembra o achado agora porque o Brasil enfrenta uma nova limitação na oferta de insumos usados na fluoretação, ligada a fatores internacionais na produção de fertilizantes fosfatados.
Por que importa: o estudo de Piracicaba dá números concretos a algo que o consultório só percebe meses depois, quando os casos de cárie em crianças começam a subir numa área sem flúor na água.
O que conferir: a reportagem do CROSP com a descrição completa do estudo original do professor Jaime Cury.
Via: Conselho Regional de Odontologia de São Paulo (CROSP), 30 de setembro de 2026