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Periodontite e Alzheimer: estudos reforçam a associação, mas não provam a causa
Revisão de 14 revisões sistemáticas achou risco cerca de 1,5 vez maior de Alzheimer e demência em pacientes com periodontite, com certeza da evidência classificada como muito baixa.

A associação entre periodontite e declínio cognitivo volta a aparecer na literatura de 2026, mas o que os autores dizem com mais insistência é que associação não é causa.
Uma revisão publicada em agosto de 2026 na Special Care in Dentistry reuniu 14 revisões sistemáticas e metanálises. O achado combinado aponta risco cerca de 1,5 vez maior de Alzheimer e demência entre pacientes com periodontite e 1,65 vez maior de comprometimento cognitivo leve. O contrapeso está no mesmo texto: 12 das 14 revisões foram classificadas com alto risco de viés, e a certeza da evidência ficou em "muito baixa".
Uma metanálise de 2026 com 6 estudos observacionais e 291.057 participantes encontrou a mesma direção de associação, com heterogeneidade significativa entre os estudos e recomendação explícita de estudos prospectivos de intervenção. Na Journal of Dental Research, a discussão se concentra nos fatores de confusão e na possibilidade de causalidade reversa: quem já tem perda cognitiva escova menos e vai menos ao dentista.
Uma revisão da Universidade Federal do Maranhão, de maio de 2026, olhou o problema pelo outro lado e descreveu o manejo bucal ao longo da progressão da doença: doença periodontal, cárie radicular, xerostomia e dificuldades com próteses.
Por que importa: não há evidência de que tratar periodontite previna Alzheimer, e prometer isso ao paciente é promessa que não se sustenta. O que se sustenta é o inverso: o paciente com demência perde capacidade de higiene e precisa de um plano preventivo mais apertado.
O que fazer: em paciente com declínio cognitivo, encurte o intervalo de manutenção periodontal, treine o cuidador e simplifique a prótese antes que a adaptação fique impossível.
Via: Jornal da APCD