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Mais dentes naturais, quase dois anos a mais de sobrevida após cirurgia de câncer de pâncreas
Estudo da Universidade de Hiroshima com 339 pacientes operados encontrou associação entre contagem de dentes naturais e sobrevida; a oclusão posterior não mostrou associação independente.

Pesquisadores da Universidade de Hiroshima, no Japão, analisaram 339 pacientes submetidos a ressecção pancreática no hospital universitário e cruzaram os desfechos com a saúde bucal. O artigo, «Independent prognostic value of natural tooth count versus posterior teeth occlusion in resected pancreatic cancer», saiu no Journal of Hepato-Biliary-Pancreatic Sciences em 23 de abril de 2026.
O achado principal é que os pacientes com mais dentes naturais tiveram sobrevida significativamente maior depois da cirurgia. Nas palavras do doutor Kenichiro Uemura, quem conservava mais dentes viveu quase dois anos a mais que quem tinha menos. A associação se manteve mesmo após ajuste pelos indicadores prognósticos já estabelecidos, ligados às características do tumor e ao tratamento.
Há uma distinção importante no resultado: a função mastigatória avaliada pela oclusão posterior não mostrou associação independente com a sobrevida. Só a contagem de dentes naturais teve esse valor prognóstico.
Os autores pretendem validar o achado em estudos multicêntricos maiores e investigar as conexões biológicas entre bactérias orais, inflamação e progressão do câncer.
Por que importa: é mais um argumento, agora com número, para incluir avaliação odontológica no preparo pré-operatório de cirurgias oncológicas de grande porte.
O que conferir: o artigo no Journal of Hepato-Biliary-Pancreatic Sciences.