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Canabidiol controla biofilme como a clorexidina em estudo da USP
Pesquisa da Faculdade de Odontologia de Ribeirão Preto testou três concentrações de CBD em 13 participantes: a de 0,05% igualou a clorexidina no controle do biofilme com menos pigmentação do esmalte.

Um estudo da Faculdade de Odontologia de Ribeirão Preto da USP, publicado na Clinical Oral Investigations, testou o canabidiol como alternativa à clorexidina em enxaguante bucal. A pesquisa é de Anna Luísa Araújo Pimenta, sob orientação de Fernanda de Carvalho Panzeri.
O desenho usou um modelo intraoral. Treze participantes usaram dispositivos palatinos removíveis com seis fragmentos de esmalte bovino cada, em cinco fases de sete dias. Em cada fase se testou uma formulação: placebo, clorexidina a 0,12% e CBD a 0,01%, 0,05% e 0,1%. Um lado do dispositivo recebia solução de sacarose a 20% oito vezes ao dia, para induzir o desafio cariogênico; o outro servia de controle.
O melhor equilíbrio apareceu no CBD a 0,05%: controlou o biofilme de forma semelhante à clorexidina, provocou menos pigmentação do esmalte e manteve a resistência do esmalte. As concentrações mais alta e mais baixa se comportaram pior.
Os autores marcam os limites com clareza. Para chegar ao uso clínico, faltam estudos com mais participantes, acompanhamento mais longo, investigação de segurança e eficácia e a definição de quanto tempo o efeito do CBD persiste depois da aplicação. Qualquer produto comercial dependeria ainda de aprovação da Anvisa.
Por que importa: a pigmentação e a alteração de sabor são o motivo real pelo qual muitos pacientes abandonam a clorexidina antes do fim do período prescrito. Um antisséptico com adesão melhor resolveria um problema de consultório, não de bancada.
O que conferir: o artigo na Clinical Oral Investigations antes de responder a paciente que chegar perguntando por enxaguante com canabidiol: hoje não existe produto aprovado para essa indicação no Brasil.
Via: Jornal da APCD