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Cannabis e saúde bucal: a doença periodontal é o desfecho com associação mais consistente
Revisão sistemática de 23 estudos encontrou bolsas mais profundas e maior perda de inserção em usuários frequentes, e alerta que a sedação profunda pode exigir doses maiores.

Uma revisão sistemática publicada na Cureus em 18 de agosto de 2026 reuniu 23 estudos sobre os efeitos do uso de cannabis na saúde bucal.
O desfecho com associação mais consistente é a doença periodontal. Usuários frequentes e de longa data apresentaram bolsas periodontais mais profundas, maior perda de inserção clínica e mais perda dentária, embora alguns estudos não tenham encontrado associação significativa.
Na xerostomia, há associação com sintomas subjetivos em usuários frequentes, mas as medidas objetivas de fluxo salivar foram inconsistentes. Na cárie, alguns estudos relataram mais experiência de cárie entre usuários, porém a relação enfraqueceu ao ajustar por consumo de açúcar, higiene bucal e nível socioeconômico. No câncer de cabeça e pescoço, a evidência é inconsistente.
O ponto mais prático é o da anestesia. Em sedação profunda ou anestesia geral, pode ser necessário aumentar as doses de propofol, midazolam, cetamina e fentanil. Já na anestesia local não houve diferença significativa de eficácia.
A recomendação aos profissionais é direta: avaliar e registrar de rotina o uso de cannabis, com frequência, duração, via e data do último uso.
Por que importa: é um dado de anamnese que quase ninguém pergunta e que muda o planejamento de sedação.
O que conferir: se a sua ficha de anamnese tem campo para uso de cannabis.