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Quase um em cada cinco canais termina com antibiótico, e a maioria sem indicação
Estudo com 1.723 pacientes e 153 profissionais nos Estados Unidos mostrou prescrição mais frequente diante de dor à palpação e lesão periapical, situações que por si só não indicam antibiótico.

Um estudo conduzido pela National Dental Practice-Based Research Network dos Estados Unidos analisou a prescrição de antibióticos após tratamento endodôntico não cirúrgico. Participaram 104 clínicos gerais e 49 endodontistas, com 1.723 pacientes acompanhados entre abril e setembro de 2017. O artigo saiu na edição de novembro de 2026 do Journal of Dentistry.
Quase um quinto dos pacientes recebeu antibiótico depois do tratamento.
O padrão de prescrição é o que mais chama atenção. Os antibióticos foram prescritos com mais frequência quando o dente apresentava dor à palpação ou sinal radiográfico de periodontite periapical — condições que, isoladamente, não são indicação de antibiótico segundo as diretrizes vigentes.
Algumas características se associaram a prescrever menos: profissionais com menos de 45 anos, e quem trabalha em grandes grupos ou em ambiente acadêmico.
Os autores identificam uma lacuna entre a diretriz e a prática, e recomendam educação continuada, ferramentas de apoio à decisão clínica mais claras e eventuais políticas de sistema para promover o uso adequado.
Por que importa: é um espelho incômodo. Dor à palpação e lesão periapical são justamente as duas situações em que a mão vai ao bloco de receitas.
O que conferir: o artigo no Journal of Dentistry e a sua própria série de prescrições pós-endodontia.